Nos dias 8 e 9 de maio, trinta trabalhadores da enfermagem de várias partes do Brasil, participaram de uma greve de fome por tempo indeterminado, em Brasília. O movimento foi em alusão ao Projeto de Lei 2295/2000, que estabelece em 30 horas a jornada semanal de trabalho para a categoria e ainda aguarda votação no plenário da Câmara.
Com 30 horas de greve de fome e acampados em frente ao Ministério da Saúde, o Fórum Nacional das 30 Horas Já, organizador do evento, resolveu encerrar a mobilização, pois houve uma abertura para negociação com o ministro Alexandre Padilha. O enfermeiro e diretor de Assuntos Jurídicos do SEEPE, Wagner Cordeiro, foi o enviado de Pernambuco para participar da atividade. Também enviaram representantes os estados de São Paulo, Paraíba, Espírito Santo, Alagoas, Rio de Janeiro, Goiás, Pará, Distrito Federal e Santa Catarina.
A greve de fome teve início ao meio dia da terça-feira (08), com uma estrutura de duas tendas grandes, banheiros químicos, gerador de energia, água, carro de som e vários profissionais de enfermagem em apoio aos grevistas. Já na tarde do dia 8, o ministro da Saúde solicitou audiência com os representantes do Fórum Nacional para negociar.
Na reunião, Alexandre Padilha propôs o retorno das atividades do grupo de trabalho, com aceleração no processo de discussão, modificou o seu parecer de "negativo" para "negociável", agendou a primeira reunião do GT para o dia 24 deste mês, quando apresentará os dados e as tabelas de impacto da aprovação do PL 2295/00. O ministro também pediu o encerramento da greve de fome.
Ainda na primeira noite, a assessora do ministro da Saúde, Denise Cruz, ligou para a Solange Caetano, pedindo reunião com os grevistas às 13h da quarta-feira (9), para negociar o final da greve de fome. À noite, os grevistas dormiram em barracas de camping e, em alusão ao símbolo da enfermagem – a lamparina – e às 30 horas, o acampamento foi iluminado com 30 lamparinas.
Já na manhã do dia 9, dois profissionais que estavam em greve de fome – Paulo Roberto, do Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal, e Líbia Bellusci, do Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro e membro da Federação Nacional dos Enfermeiros, passaram mal e foram atendidos por uma equipe do SAMU.
No começo da tarde, uma comissão formada por dez grevistas, inclusive o diretor Wagner Cordeiro do SEEPE, foi recebida pela Denise Cruz e pelo secretário de Educação em Saúde, Fernando Menezes. Na ocasião, foi ratificado o interesse em dar andamento ao GT e confirmada a primeira reunião para o dia 24. O ministério assumiu o compromisso em acelerar os trabalhos e ficou estabelecida a data-limite para finalização dos mesmos para o dia 29 de setembro, já que, em outubro, o Congresso Nacional volta do recesso, permitindo a votação do PL ainda em 2012. Com o compromisso assumido pelo ministério, o grupo informou que a greve de fome seria encerrada após 30 horas.
À tarde, a coordenação do Fórum foi procurada pelo assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Marcos Maia, para agendar uma reunião com o deputado às 17h. Nessa reunião foi assumido o compromisso em colocar para votação o PL 2295/00 assim que a pauta esteja liberada, após a votação ou encerramento do prazo das Medidas Provisórias (MPs) que trancam a pauta do Congresso.
No começo da noite, por volta das 18h, a greve de fome foi encerrada com uma farta refeição oferecida pela organização do ato. "Minha avaliação é que o movimento foi extremamente positivo e a condução de todas as decisões, representações, deliberações e encaminhamentos, foram feitas da maneira mais democrática possível, onde todos os participantes do ato tiveram espaço para expor suas opiniões e votavam para definição das estratégias. O Fórum Nacional pelas 30 Horas Já está de parabéns", ressaltou o diretor de Assuntos Jurídicos do SEEPE, Wagner Cordeiro.
Fonte:
SEEPEPostado por Valeska